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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

PROSA CABOCLA: PREMÊRA CAMUNHÃO (coisas di Nhô Tonho)

Patrãozinhu chamô Sá Dona, lemcasa.
Tava nóis dois catanu fejão pru armoçu de dumingo. Nossu caçula ia tomá a premera camunhão, ditardinha, na missa que Frei Dondinho ia fazê na capela da fazenda.
Sá Dona ponhô ozóio pra riba d'eu e piscô, caquela carinha di quem num sabe o qui vão falá prela.

Toquei eu suzinho, catanu fejão. Inté qui num tinha muita tranquera. Tinha é uns bagu di fava, inda nu meio da istôpa.

Repenti, Sá Dona vorta numa correria, gritanu meu nome. “Tonhu du céu, cê num querdita duma coisa, ómi!”, falô ela já na sulera da porta.

A cara da muié, pesar de sê minha nega, tava vermêia di tanto corrê di lá da casa da sédi inté in casa. “Tonhu, ganhemo uns par di rôpa nova pra missa do Chico!”, berrava Sá Dona. Inté parecia que tinha ganhadu suzinha na loteca. Só qui nóis nem tinha jugado...

Parei de ponhá os grão di fejão na penera, isfreguei as mão no panu di pratu e botei reparo nos pacoti que Sá Dona mostrava.

Ói, inté parecia que u patrão sabia das nossa precisão. Veiu vistidu novu, istampadu, as coisas di ponhá pur baxo e inté carçadu. Sem contá uns brinco e inté anér de ôro farso.
A nega se banhava di felicidade! Adespois, inda disse que dona Laurinha ia mexê nos cabelu dela, pra ela ficá inda mais formosa.

Sô Armandu, maridu dela, mandô umas carça nova, camisa tumém, par di bota preta brianu di nova. Ganhei cueca e inté uma guaiaca tinindo. Só fartô botá uns trocadus nela. Inté dei um riso marotu quandu pensei nisso.

A genti nem ponhava pensamentu nessa coisa di o patrão ajudá, mái já que mandô, era bão di a gente fazê uso. Finar di conta, era gostu da famía dele tratá bem us pião da fazenda.

Chico ia levá dona Laurinha e sô Armandu di padrinhu, na missa, i us dois já tinha mandadu rôpa prele. O mininu parecia daqueles prínces di histórinha. U neguinho já era bonitu i agora, cum rôpinha nus trinque, vixi! Qui nem dizia o pai Zecão: parecia fio di arfaiati...

Frei Dondinho rezô a missa, pregou umas palavra di respeito e amizade, serviu a hóstia pras criança, us grande fôro despois. Tevi café cum leite, bolo de fubá, bolo di chocalati, cocadinha e pipoca, pra tudu mundo. Sá Dona ficô dizóio i eu num pude carcá um gole da pinga du cumpadi Bertulino. Deu água na boca, mais a genti tem qui respeitá a muié da nossa cumpania.

Cardosinhu, violeru dus bão mermo, si assanhô tocando umas varsa e dispois uns cateretê e catira na viola caipira.

Batia umas oito hora da noite quandu u patrão si arretirô, puxando dona Laurinha pela mão. Passaram na frente da capela, si benzêro e siguiro pru bangalô.

Juntei as coisa du Chico, o caticismu e a vela da camunhão, bracei Sá Dona e toquemo reto pro nossu cantinhu. Garramu prosiá e quandu vimu, batia quasi a hora grande, meia noite.

Eu e a nega fumu pra vê o Chico, qui tava inda joeiadu, rezanu pra drumi. Inda deu tempu de iscuitá o que o mininu dizia. Foi maismenos assim:

Sabe, meu São Biniditu, u pai i a mãe tão feliz cumigo. Eu tumém, inté pisquei mais grossu pra escorrê u choru, na missa. Pai é bão moço, mãe trabaiadêra. Num dêxa eles fartá na vida desse vossu fio. Vai sê bão tê us dois inté quandu eu ficá hómi grandi e pudê cuidá dus dois. Vô iscuitá u que Frei Dondinho falô: mais vali pai i mãe pur perto du que ficá chutanu lata nus caminhu da vida. Bênça, São Biniditu. Amém”.

Oiei pra nega, chorava co's zóio lavado de choro. Isfreguei us zóio meu, disfarcei e falei pra ela que nóis tava no caminhu certu. Chico aprendeu que é bão amá quem ama a gente e respeitá tudu mundu.

Drumimu abraçadu, dispois de rezá e trocá umas passada di mão.
Trodia já ia sê segunda fêra e o batente cumeçava cedu na ordenha das vacas.
Adispois conto mais.
Finar das conta, sô o Nho Tonho, prosadô cheio de prosa...

Sempre é bom resgatarmos coisas do cotidiano das pessoas mais simples. Afinal, pela simplicidade são conquistados espaços de melhor manifestação e melhor viver.
Deixe o caboclo simples e lutador que existe em seu interior ser um pouco da sua boa energia.
Não custa nada e pode valer muito, no momento em que sabedoria e coerência precisam ser contados como valores de superar dificuldades, medos, incertezas e pouco caso.

É a minha Opinião.

Marcos Ivan de Carvalho, MTb36.001
Jornalista Independente, não filiado à AJOPI.





sexta-feira, 7 de outubro de 2016

NÃO VI O VÍDEO DO VITO (ou: Gratidão ainda é tudo de bom!)

Os praticantes de vertentes esotéricas, principalmente, e todas as pessoas centradas na certeza de não estarem sozinhas por este plano, têm para si e para com os parceiros de viagem terrena valores incontestes como cortesia, confiança, amabilidade, sinceridade, respeito, honra, saúde, paz...

Gratidão, então, é ferramenta de se exercitar a proximidade e equiparação de valores.

Nas eleições recém findas pudemos observar, muito acentuada, a prática de discursos comprometidos com a melhor qualidade de vida, em todas as suas segmentações.

Os candidatos pediam, pediam mais, mais pediam e prometiam saber promover a contrapartida do atendimento destes pedidos quando de sua assunção ao poder.

Em Pindamonhangaba, nosso universo material e limitador de nossa capacidade de avaliação, isso também aconteceu.

Posterior a 2 de outubro, quando as urnas sufragaram nomes novos para o Legislativo e, principalmente para o Executivo, pudemos ver o perfil político da cidade.


Houve uma "limpa" no elenco de "jurássicos", fazendo com que Pinda deixasse de ser uma espécie de "Vale dos Dinossauros" ou um quase mausoléu da política. Sobreviveram ao "rapa" dos eleitores aqueles que ainda demonstram vontade de fazer melhor, tornando-se melhores.


Muitos eleitos e outros que "rasparam a trave", às suas expensas, fizeram e estão fazendo circular pelas ruas de seu ambiente eleitoral, veículos com caixas de som demonstrando a gratidão pelos votos recebidos.


Isso é o mínimo que um cidadão, o qual se dispôs representar o povo, deve fazer para promover a satisfação de quem lhe confiou um voto. Votos de Gratidão!


As redes sociais trouxeram para o universo tecnológico as imagens e falas de Isael Domingues, Luis Rosas e Julielton Modesto, os quais se envolveram na disputa para trabalharem pelo povo no prédio espelhado.


Gratidão é tudo e estes souberam se manifestar, sem muita produção artística mas com enorme dose de sinceridade.


Mas, e o atual prefeito? "Quedê a prosa dele", diria dona Benedita, minha mãe querida.

É mesmo, Cadê? Onde está?

Com uma suposta seleta equipe de assessores de campanha, Vito Ardito não compareceu às redes sociais para se expor grato pela escolha manifestada de seus 30.455 eleitores. Está certo que não deu para chegar ao topo, mas até mesmo o último dos atletas, numa competição, se faz honrado ao agradecer aplausos de incentivo.


O vídeo do prefeito, até o encerramento deste artigo, não havia circulado pela rede mundial de computadores.

Há quem diga estar, o alcaide, em estado depressivo. É preciso cuidado, pois depressão mata depressinha...

Vamos aguardar, para vermos e ouvirmos o que ele tem a agradecer...

Aproveitando o gancho e nos reportando a algumas ilações nossas anteriormente, vejamos como foi o resultado, dentro daquele quadro "previsto":

Se Vito Ardito montou um "batalhão de choque" para desviar votos do seu mais frontal adversário (ao nosso ver o verdadeiro único na oposição) conseguiu efeito reverso.


Vejamos:

Wilton Carteiro correu por fora e não representou, com todo o respeito merecido, ameaça inicial a nenhum outro candidato. 
Luis Rosas teve pouco mais do que 10% dos votos de Isael.
Myrinha ficou no terceiro lugar com 4.619 votos, pouco mais do que 15% do total do atual prefeito.
Então teríamos, numa hipótese: Vito+Myriam = 35.074.
Caso Myriam tenha sido componente da estratégia para desviar votos de Isael, o tiro foi no pé do cérebro que pensou nessa possibilidade.

Se Rosas, também hipoteticamente, compusesse a mesma ideia de combater ao lado de Vito?

O moço teve 3.664 preferências, quase 13% do total atribuído ao prefeito.
Daí, Vito+Myriam+Rosas = 38.738 votos para quem está hoje no poder.

Sabem o que aconteceu?

Deixaram a metralhadora na mão de quem não entende de usar armas corretas na hora do combate justo, respeitoso e não dissimulado. Estouraram com os próprios pés.

Notem estarmos tecendo suposições, não afirmando e, muito menos, acusando.

É um passeio mais crítico e diferenciado sobre os números e possibilidades.

Esqueçamos os nulos, brancos e abstenções. Esses, naturalmente, não contariam em nenhuma outra consideração ou hipótese.


Os votos aparentemente mais descompromissados desse elenco de guerreiros seriam, então, do Wilton Carteiro. Apesar de o mesmo constar, em nossa ideia de "cartel político", como terceira opção "não Vito".


Trocando em miúdos:

A ideia de "puxar" eleitores de Isael para um dos outros quatro, foi "pro brejo". 
E é simples entender: se o povo estava descontente com a atual administração, na cabeça dos marqueteiros do prefeito poderia dar certo carrear essa insatisfação para outros nomes parceiros. Daí teriam surgido esses adversários para não deixar a insatisfação transmutar-se para esperança em Isael.

Acontece, porém, que se a constatada insatisfação era para com quem está no poder e não para quem estava na reserva do poder, por direito constitucional de estar na reserva, não há como considerar os tropeços da gestão atual serem  culpa de quem não detinha o cargo de gestor. 


Percebe-se que - nessa nossa ótica - a Esperança superou a Insatisfação. 


Os votos para Myriam, Luis Rosas e Wilton contém grandes doses de opinião dissidente, algum tanto de primeira experiência e um "tequinho" de "vou votar em qualquer um".

Já para os lados de Isael Domingues percebo ter havido certa migração dos eleitores cansados de serem envolvidos por uma falsa "felicidade" e decepcionados com muitas coisas prometidas e ainda devidas.

Além disso, é consistente vermos grande parte do eleitorado jovem que acompanhou Domingues nos comícios, levando apoio a todo seu time de candidatos a vereador. Gente nova, muita gente jovem e parceiros experientes e conscientes de sua decisão em mudar.

Enquanto muitos apoiadores de Vito se expunham exageradamente nas redes sociais, apregoando as belas, grandiosas, importantes realizações do prefeito e, na réplica, eram criticados e "vaiados", outros adversários corriam trecho, anunciavam suas propostas e pediam votos.

Aliás, outro tiraço no pé foi a ideia de caminhar, em vez de "comiciar". Um verdadeiro arrastão de candidatos, assessores, cabos e soldados políticos invadindo ruas. Sem contarmos a "zueira" dos carros de som. Tudo isso incomoda, perturba, atrapalha a vida do cidadão comum.


Toda a coligação se despejava no mesmo local, na mesma hora.

Fotos para o "face" eram disparadas de todos os lados. Mas só se viam assessores, inclusive comissionados. Não "vingou" a ideia.

Parte da derrota de Vito Ardito se deve à falta de "jogo de cintura" de quem fazia postagens nas redes sociais. Muitos desses partidários passaram a ser motivo de deboche puro, por parte até de outros da mesma bandeira.


Mereciam do líder um "Cala a boca, Galvão!".


Bem, janeiro está logo ali, já mostrando a carinha. Ainda dá tempo de serem postadas mensagens de agradecimento.


Afinal, quem pede e recebe, por ética e educação precisa ser grato. Gratidão. Fica a dica.


É a minha Opinião.

Marcos Ivan de Carvalho, MTb 36001
Jornalista Independente, não filiado à AJOPI.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O CHINÊS DEIXOU CAIR PRATOS (ou: O 22 VALE MAIS QUE O 45)

É preciso entender certas diferenças.

Meu pai ensinou-nos o respeito, para respeito praticarmos e sermos merecedores do mesmo.

Humildade, sem humilhação, é patrimônio próprio de tantos quantos a exerçam para, com dignidade, somarem seus ideais e desenharem seus caminhos com olhos de muita esperança.

Deus, não só como símbolo de alguma religião, mas, acima de tudo, por ser o único Norte de não perdermos o rumo, precisa ser e estar em nossa existência, “full time”.

Competitividade, com lealdade e foco nos objetivos, é próprio de quem se nivela com os demais cidadãos. Apesar de se estar assumido no poder, essa igualdade só pode resultar em conquistas coletivas, consistentes e consolidáveis, beneficiando a todos, indistintamente quanto à raça, cor de pele, credo e preferência política.

Há algum tempo, observava-se, em Pindamonhangaba, um discurso monocórdio, repetitivo e irreal. Havia a constante afirmação de o prefeito se dizer feliz e estar fazendo o povo feliz.
Por onde passava, a ladainha se despejava automática e, até certo ponto, evasiva, na hora de qualquer pronunciamento ou justificativa a algum questionamento.

Estar “Feliz” não é correspondente a um estado de tristeza, decepção, carência totalmente manifestado pela população. O povo, em sua maioria, não entendia ser, a felicidade, prerrogativa do gestor municipal.

Percebendo a fuga em dar respostas de solução, dentre outros problemas, o povo de Pinda não estava feliz. Felicidade? Onde tem e quanto custa?

A aparente possibilidade de encontrar portas abertas para uma conversa sobre problemas do cotidiano com quem mais entende de cotidiano, que é o cidadão de todos os instantes, não acontecia pelos lados do Paço Municipal.

Uma incrível rede de filtros fazia o cidadão desanimar, se ofender ou obter ajuda de modo completamente adverso do esperado. Muitas vezes um sorriso bem colocado mascarou o pouco caso em atender. Pelo simples fato de os responsáveis pelo atendimento não entenderem sobre fraternidade, comprometimento e isonomia.

Então, em seu gabinete, o prefeito poderia acreditar e apregoar que administrar um município seria como o trabalho do artista chinês equilibrista de pratos, em um circo. “Qual prato é mais importante? Todos”, costumava dizer.

Mas o chinês de dentro de seu universo vacilou. Perdeu a noção do tempo e deixou cair. Não um, mas vários pratos. Os pratos da compreensão, da humildade, da resposta sensata e sem fantasia, da acolhida. Assim como o prato da sinceridade e o da igualdade.

O povo, exaurido de ser colocado num paraíso fictício, ergueu sua voz por sobre um conjunto de números, confirmando sua vontade de mudar. Bateu no peito e disse firme e forte sua esperança de mudança.

Se experiência faz a diferença, o povo experimentou mais de 3 anos de poucos resultados. Isso, definitivamente, fez a diferença. Na escala de valores, o 22 passou a valer mais do que 45.

Nestas eleições municipais, em Pindamonhangaba, o placar final foi como adentrarmos as águas de uma bela e aconchegante cachoeira, com a devida permissão das entidades sagradas da Natureza, para um inebriante banho de lavar a alma.

Lavei a alma, retemperei minha mente, recuperei a calma. Cada gota de felicidade que escorria de meus olhos (claro que chorei de alegria) parecia despejar todos os calos de maldade incrustados pelos incompetentes em meus sentimentos. Durante três anos provei o amargo sabor de reclamar meus direitos diante de pessoas insensíveis, arrogantes e sem talento para atender quando questionadas.

No domingo à noite, festejando a vitória de uma verdadeira família, abracei e cumprimentei cidadãos anônimos, por ser eu um anônimo tão feliz quanto tantos incorporados da mesma possibilidade de ser melhor considerado, mais respeitado e jamais ultrajado por ter escolhido o caminho de nos levar para dias de grandes conquistas.

Peguei na mão de minha esposa e voltamos para casa sabedores de termos votado com muita confiança em quem nos revelou ser confiável.

Para o final do ano restam menos de 3 meses.

É imprescindível aos atuais detentores do poder compreenderem a vontade da maioria e deixarem, para os novos responsáveis pela cidade, uma herança que represente, pelo menos, um mínimo de respeito à escolha popular.

Desta forma, estarão promovendo algum teor de remissão de seus atos unilaterais os quais devem ter provocado muita tristeza em inúmeros lares e famílias da cidade.

Para finalizar: Estar ou ser Feliz não é exclusividade de alguns. Se souberem o valor de compartilhar, correta estará a frase: “Todos somos felizes”.

A “Lei do Retorno” é como o bumerangue: quem não sabe conviver com ela, pode se machucar.

É a minha Opinião.

Marcos Ivan de Carvalho, MTb 36.001
Jornalista independente, não filiado à AJOPI.


terça-feira, 27 de setembro de 2016

ERÊS (ou: Criança não costuma mentir)

Criança não costuma mentir, diz a sabedoria popular.

Adultos mentem, para as crianças que não sabem mentir.

A curiosidade de gente grande não entende as razões de ser permitido, às crianças, xeretar por todos os cantos.

Crianças correm, pulam, dançam, cantam.

Fazem arte, conforme definem as pessoas de mais idade.

Interessante como as crianças, muitas vezes, surpreendem os adultos...

Querem um exemplo?
Numa escolinha maternal, as crianças brincavam de bola, correndo, chutando, caindo, chorando, rindo.
Silvinho, um dos pequenos, levanta a mão e grita, avisando de um pedaço de vidro no chão.
A professorinha, deixando as crianças brincarem, lia seu livro de romance.
Ao aviso do infante, a tia se aproxima e recolhe o objeto cortante.
Silvinho bate palmas, pega a bola e grita, para os amiguinhos, que o perigo de furar a bola havia acabado...

Outro:
Matheuzinho, meu herói, pega a mochila, depois de chegar em casa, puxa o zíper e diz para a mamãe que tem atividade para fazer em casa.
A mamãe pega a agenda e o caderno. Na agenda, a Tia da Escola diz que é para a mamãe responder uma série de perguntas para o menino. Uma entrevista.
A certa altura da conversa, a mamãe diz:
-Matheus, a titia quer saber qual é o prato preferido da mamãe. O que eu escrevo?
- Prato de 'vrido" mãe!

Crianças podem tudo, pela sua aparente inocência, mas entendem, ainda, do silêncio ou do vociferar adulto.

Crianças são mensageiras da Paz e da Alegria, dia e noite, noite e dia.

Hoje se comemora o dia de Cosme e Damião que, junto com Doum, representam as crianças na tradição da Umbanda Sagrada, uma das expressões afro-brasileiras.

Ofereça um doce, a uma criança, no dia de hoje.

Não se preocupe com a idade dessa criança, mas exerça o lado criança de festejar crianças.

Abrace a sua própria criança, peça aos Erês (crianças), para que corram, pulem, xeretem e levem seu recado de Esperança ao Deus de sua crença.

Afinal, um dia você já foi criança e essa essência não pode ser desprezada em cada um de nós.

É a minha Opinião.
Marcos Ivan de Carvalho, MTb 36001
Jornalista Independente.


Toni Garrido tem razão: “pra entender o Erê tem que estar moleque”...


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

PROSA CABOCLA (ou: Descontrair é bom e não custa caro)

Tava eu cheganu pra mais duns seis quiloms de andança a pé.
Repente, assim sem mais nem meno, trupiquei num toco de canjerana, inroscado na bera da estrada...

Foi um trancu bão, daqueles de amargá a boca di tantu duê.

Ranquei a butina, qui já tinha inté u ilástico isgarçado, ponhei fora a meia furada e arreparei u dedão isquerdo de unha rachada, sortano sangue...

Fiquei bronqueadu com us pé meu, finquei os zóio nus dois e preguntei di purquê qui eles num óia pra donde vão...

Us dois nem fizéro iscuitadu. Ficaro quétinho, nu jeitinho que tava.

Tamém, pudera né? Us pé da genti é pra levá nóis pra tudu quantu é cantu. Pisa no chão quente, si moía tudu na chuva, iscorrega na merda du gadu...

I eu aqui, quereno que eles ainda óia pra donde vão. U negócio deles é levá a genti. Oiá é tarefa dus zóios...

Di qui nissu tive lembrança, preguntei pras duas bolas de inxergá si elas num viru o danado du tocu.

Tamém siguiru quétinhu, nem piscaro. Pudera, zóio num é pra falá... Só sérvi pra avisá us miolo, os quar tem o serviçu di ponhá reparo e tomá jeito de sabê o qui fazê.

Infiei as cachola pra trabaiá e mi veio di troco u recado: 

Zé, avisá eu avisei. 'Cê num tomô sentidu e socô o pé no toco. Danô-se!

Larguei di discutí co'corpo e ponhei a inxada du lado, peguei a matula, dismarrei, mordi o teco di pão que sobrô de trazdontonte, enguli o resto de rôiz cum fejão fríu. Peguei a Pitú, distarraxei a rôia, carquei dois golis bão guela abaxo.

Desceu qui desceu queimanu... Era a nistesia. Ergui bem o toco de unha rachada, dispejei um poco bão da pinga.

Foi só agua qui desceu dozóio! Ardeu inté no fundu duzumbigu, qui nem dizia vó Bastiana.
Rasguei um pedaço da camisa rasgada, inrolei no dedão, ponhei a meia véia drentu da butina suja de merda de vaca, pindurei no cabo da inxada e toquei pra casa.

Doía muito não, mas parecia qui eu era um preto véio incorporado. Ia capenganu, puxano a fumaça do pito pra ispantá us musquito.

Sá Dona, minha nega, cuidô do dedão do seu nego. Adispois da janta, cum arroíz requentado, fejão e torresmo, lavamu as coisa e fumu drumi. Notro dia eu ia trabaiá mancano, mais ia mermo.

Finar di conta, foi só u dedão.

U pé num saiu du lugar. Ozóio tava mais aberto e us miolo avisadu pra mi avisá.
U sol rachava na cara, eu rachava lenha i um pardarzinho passo voanu, cagô na minha testa.

Pensei inté in recramá dozóio, mas a cachola gritô lá di drento:

Zé, nóis já si falamu onti,lembra? Fechei o bico, limpei a caca e toquei no batente.

Tem dia que inté di noite a genti se dana. Mais é ansim mermo. Repentemente tudo mióra.

Só num ficá carcano minhoca na cachola.

Notro tempo proseio mais cocês,

Bá noite.

Nego Tonho, o prosadô cheio de prosa.

(Marcos Ivan de Carvalho, MTb 36.001
Jornalista Independente

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

SOBRE CABOS ELEITORAIS E CARGOS COMISSIONADOS

O atual gestor de Pindamonhangaba afirmou textualmente – em debate de televisão – a importância dos 300 empregados comissionados por serem, todos, competentes.

Aí já se estabelece um parâmetro discriminatório, haja vista, apesar de subjetivamente, o prefeito ter destacado a “falta de competência” dos funcionários concursados, efetivos, com estabilidade de emprego, mas não merecedores de sua confiança.

A suposta competência dos comissionados como teria sido avaliada? Sem nenhum teste, a não ser a mera simpatia ou o ardoroso partidarismo de cada um deles por ocasião das eleições passadas?

Se experiência faz a diferença, quem está no serviço público há mais tempo entende mais de administrar o erário municipal.

Por outro lado, como estabelecer nomenclatura de cargos comissionados se não há, e isso é até objeto de representação pelo Ministério Público, a correta descrição de cargos e funções dos efetivos?

Tanto assim é que os 300 são contexto de sentença judicial definindo pela extinção dos referidos cargos sem concurso.

Por outro lado, o alcaide afirma ter enorme preocupação com a atual situação de desemprego na cidade. Será que os mesmos comissionados não estão ocupando, como cabos eleitorais, a possibilidade de ganho de pais e mães de família atualmente passando necessidades?

É preciso entender ser, o serviço temporário de cabo eleitoral, uma pequena chance de muitas famílias terem um litro de leite, um quilinho de linguiça ou acém sobre a mesa, enriquecendo a alimentação do cotidiano, enquanto alimentam o sonho de tempos melhores.

Aproveitando a postagem de um comissionado apoiador do prefeito, no Facebook, vamos considerar, como salário médio dos comissionados, a irrisória quantia de R$ 5 mil.

Não vale pegar a calculadora, mas, vamos lá: 300 x 5 mil = R$ 1.500.000,00 por mês!

Daria, esse valor, para adquirir, pelo menos, 5 ambulâncias novas e responder pelo salário de profissionais habilitados em atendimento de emergência.

Enquanto, isso, muitos servidores concursados não atingem R$ 2.500 mensais, cumprem jornada de trabalho, marcam ponto e ainda precisam justificar atrasos, mínimos que sejam.

Outros equipamentos e recursos poderiam ser alcançados com a redução de despesas com “profissionais competentes”.

Será que um cabo eleitoral custaria tão caro ou, na verdade, a economia é por conta da competente fidelidade puxa-saquista garantidora da boca rica?

Boca rica sustentada no poder sem nenhuma consulta à opinião pública.

Basta ser competente para estar dentro da moralidade?

Fica, para reflexão, essa minha Opinião.

Marcos Ivan de Carvalho.
Jornalista Independente -Mtb 36.001



sexta-feira, 16 de setembro de 2016

CANDIDATOS DE PINDA FAZEM DEBATE MORNO NA BAND VALE

Assisti ao debate dos candidatos a prefeito de Pinda, na Band. Morno, apesar da adrenalina pairando no ar.
Pela ordem de disposição na bancada mediada pelo competente amigo Claudio Nicolini, foi possível perceber e destacar alguns itens:

Wilton Moreno Carteiro – moço corajoso. Deu a cara a tapas no meio de 4 adversários com alguma experiência junto ao público eleitor. Deu seu recado a Michel Temer, sem ter o que temer. Fundamentou seu plano de trabalho em buscar oportunidades para todos, com atenção para a Saúde, Emprego, Cultura e Segurança. Valeu como experiência. Não merece ser comparado ao Tiririca, pois pelo menos – apesar do nervosismo, conseguiu se expressar.

Myriam Alckmin – Decorou seu discurso. Tanto que, num momento, não conseguiu pronunciar corretamente sobre o uso de energias. Tem um formato de plano de trabalho muito rebuscado, pensando muito distante das atuais necessidades. Quer criar uma tal Unibio, no Trabijú, quando o problema maior é junto às diversas regiões mais sofridas da cidade. Até mesmo o centro, carente de reurbanização e organização. Não descarto a possibilidade de “uma carta na manga” do prefeito atual, para desviar votos de Isael.

Vito Ardito – Parece viver numa redoma onde respira felicidade, transpira satisfação, inspira alegria. Apesar disso, em alguns momentos demonstrou não ter tanto gás para responder prontamente às perguntas. Viajou muito sobre o que fez, tentando mostrar ser um verdadeiro mestre de obras com tantas habitações entregues. Nada mais do que obrigação de uso do dinheiro público. Defendeu um PS Infantil ainda inoperante cujas instalações custaram mais de R$ 7 milhões. Falou sobre Segurança, Saúde, Esportes para todos. Disse que seus comissionados são competentes. Por isso o alto custo deles, em detrimento da realização de concursos ou melhor uso dos já efetivos?
Fugiu do Plano 45, tentando alegar que as necessidades se modificam. Garante contar com o apoio dos presidentes da Associação e do Sindicato dos Funcionários Públicos. Isso não significa satisfação total dos próprios funcionários. Sobre Segurança Pública, coincidentemente afirmou que Pindamonhangaba tem entradas e saídas, num total de 22. Seria a solução indicada por ele mesmo?

Isael Domingues – também sofreu os efeitos da adrenalina ambiente, o que é normal num enfrentamento às câmeras de televisão, ao vivo. Foi o único que teve direito de resposta e, em vez de simplesmente contradizer Luiz Rosas, autor da frase que proporcionou essa ação, utilizou o tempo para se manifestar interessado na solução dos problemas da população, haja vista conhecer a Saúde melhor do que os demais participantes. Tem planos em comum com os demais, principalmente na área da Saúde e da Segurança, mas seu diferencial é buscar recursos com a redução dos cargos comissionados e com a revisão dos contratos de locação e prestação de serviços.
Usou, inteligentemente, o discurso do representante do PSOL, Wilton, para questionar o prefeito atual sobre os cargos comissionados. Com isso, foram dois a questionar Vito Ardito sobre o mesmo assunto.

Luiz Rosas – Com enorme crachá 44 no paletó e uma camisa amarela, uma das cores tucanas, iniciou sua fala com uma certa segurança, a qual se abalou um pouco também por conta da emoção e das participações dos demais. Parecia querer despejar todo o seu discurso, mas silenciava bem antes dos 10 segundos finais sempre informados pelo mediador. Tentou afirmar ser imoral a ocupação do cargo de atual vice pelo adversário Isael, mesmo sabendo das limitações impostas ao cargo pela própria estrutura legal. Referiu que o médico poderia entregar o cargo e voltar a atender em Pindamonhangaba, aumentando o quadro de profissionais. Seria, Isael, o único médico que falta para solucionar de vez a deficiência de atendimento na Saúde? Rosas fala em Segurança, Saúde e Trabalho. Questionou a ainda não construção do teatro municipal, item de campanhas anteriores do atual prefeito.

Trocando em miúdos:
Existe muita proximidade entre Vito Ardito, Myriam e Luis Rosas. De verdade, não houve nenhuma crítica bastante contundente entre eles. Wilton não foi encurralado, pois os demais adversários parecem ter visto, em sua pessoa, apenas um a mais na disputa. Seria a zebra da vez ou o “Gugu Mello de 2016”, lembrando que este saiu para a disputa sabendo que sua função seria diminuir o risco de Paulo Sérgio Torino ficar com alguns votos a mais nas eleições passadas. Foi um candidato “opcional” criado nos bastidores da coligação vencedora, podem crer.
Sobram, então, frontais digladiadores, Vito Ardito e Isael Domingues.
Daí o povo tem mais facilidade para decidir se a “experiência faz a diferença ou faz tudo ficar como está” ou vale a pena usar seu voto como “força de trabalho para a cidade realmente avançar”.
Particularmente acredito no seguinte: se há insatisfação, isso já comprovado, a melhor experiência é mudar. Do contrário, como explicar depois para nossos herdeiros que tivemos a chance e a deixamos vazar das nossas mãos por conta do medo de mudar?
Atentem para isso: o maior amigo é o medo, que nos dá oportunidade de entendermos existir um caminho melhor. O maior inimigo é o comodismo, o conformismo.
Se Pinda tem 22 saídas, o número é esse, destacado pelo próprio prefeito atual.
Em tempo e com muitos aplausos: Claudio Nicolini, sereno, educado, profissional. Orgulho-me de ter esse nome em meu rol de grandes amigos, desde os tempos de faculdade. Parabéns Band Vale!
Essa é minha Opinião.

Marcos Ivan de Carvalho, jornalista Mtb 36001

Jornalista Independente.